Artigo produzido por Mariane Bilintani Tanner e Paola Barone da Silva – Graduandas em Engenharia de Alimentos UFLA.

 

  1. EMBALAGENS ATIVAS

As embalagens ativas vêm sendo utilizadas para aumentar a vida de prateleira, melhorar as características sensoriais, evitar as deteriorações química e microbiológica e garantir a segurança dos alimentos, inibindo o crescimento de microrganismos patogênicos.

As embalagens ativas têm várias funções adicionais em relação às embalagens passivas, que são limitadas a proteger os alimentos de condições externas. As embalagens ativas alteram as condições do produto, aumentando sua vida de prateleira, segurança e qualidade e/ou melhorando suas características sensoriais (Vermeiren et al., 2002).

Algumas aplicações das embalagens ativas:

  • Atmosfera modificada

Consiste em promover uma atmosfera modificada dentro da embalagem alterando os níveis de oxigênio e gás carbônico, por exemplo. Este sistema pode ser empregado para vegetais que ainda respiram e, desta forma, com a redução de oxigênio e aumento do gás carbônico, pode-se reduzir as taxas de respiração, retardando a deterioração destes produtos e aumentando a vida-de-prateleira sem influenciar drasticamente nas características sensoriais do alimento.

  • Controle dos níveis de etileno

Durante o metabolismo de frutas climatéricas, como a manga, o mamão e a banana, é liberado um composto chamado etileno que é responsável pelo amadurecimento e senescência. No caso destas frutas, uma vez que atingem o estágio de amadurecimento, rapidamente tendem a deteriorar-se. Para prolongar a vida-de-prateleira, utilizam-se agentes oxidantes na forma de sachês no interior das embalagens com alta permeabilidade ao etileno ou estes agentes são adicionados ao material que compõe a embalagem.

  • Redução dos níveis de umidade

A presença de níveis inadequados de água no interior de uma embalagem podem provocar: crescimento microbiano, condensação de água na superfície dos alimentos, prejuízo às propriedades de barreira da embalagem, alterações organolépticas, etc… Uma forma de reduzir estes níveis de umidade é a introdução de sachês com compostos dissecantes ou a incorporação de agentes umectantes, como os poliálcoois, entre duas camadas de um filme plástico de alta permeabilidade à umidade compondo a embalagem.

  • Monitoramento de temperatura

São indicadores presentes na embalagem com capacidade de fornecer um histórico de temperaturas nas quais o alimento foi exposto, ou simplesmente indicar se o tempo/temperatura de exposição excedeu um valor pré-determinado. Alguns princípios utilizados são: temperatura de fusão do gelo; taxa de difusão de um composto em géis; reações químicas dependentes de temperatura ou do grau de exposição a tempo-temperatura.

  • Liberação de aditivos

Vários aditivos químicos podem ser liberados a partir de uma embalagem, a fim de aumentar a vida-de-prateleira do produto. Os conservantes (especialmente ácidos orgânicos ou peróxidos). Os conservantes, por exemplo, que são capazes de prevenir o crescimento de microrganismos deteriorantes e patogênicos, podem ser liberados de forma controlada sobre a superfície de um alimento, através de difusão e evaporação a partir do filme (embalagem) ou através de reação química ou enzimática.

A embalagem ativa é um grande passo na manutenção da qualidade e segurança dos alimentos. Têm sido empregada principalmente em produtos minimamente processados e alimentos susceptíveis à oxidação e que sofram alterações consideráveis na vida-de-prateleira conforme as condições de tempo e temperatura que estarão expostos durante o armazenamento.

Alguns exemplos de embalagens ativas são as embalagens antimicrobianas, embalagens antioxidantes, embalagens aromáticas e alguns revestimentos para alimentos.

 

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2. EMBALAGENS INTELIGENTES

As embalagens inteligentes indicam as modificações químicas às quais os alimentos estão passando, como mudanças de pH, por exemplo, indicando alterações na qualidade do produto.

Os sistemas de embalagens inteligentes podem ser compostos por rótulos, etiquetas ou filmes que proporcionam maiores possibilidades de monitoramento da qualidade do alimento acondicionado (Han et al., 2005). Do ponto de vista prático, a embalagem está verdadeiramente em contato com o alimento e, portanto, pode ser considerada a ferramenta mais simples e viável de fornecer informações sobre a qualidade do alimento nela embalado durante as etapas de transporte e acondicionamento. Além disso, o monitoramento do produto por meio da embalagem permite que o consumidor final tenha acesso às reais condições do alimento imediatamente antes do consumo.

Diferentes tipos de embalagens inteligentes têm sido desenvolvidos. De acordo com Yam et al. (2005) essas embalagens podem ser divididas em dois grandes grupos: embalagens carreadoras de dados, onde estão inseridos o código de barras e as etiquetas de identificação por frequência de rádio (RFID), e embalagens indicadoras, merecendo destaque os indicadores do binômio tempo-temperatura, indicadores de gases, como oxigênio e etileno, e os indicadores de microrganismos patogênicos e toxinas.

 

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Vermeiren L, Devlieghere F & Devebere J (2002) Effectiveness of some recent antimicrobial packaging concepts. Food Additives and Contaminants, 19:163-171.
AZEREDO, Henriette Monteiro Cordeiro de; FARIA, José de Assis Fonseca; AZEREDO, Alberto Monteiro Cordeiro de. Embalagens ativas para alimentos. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, v. 0, n. 3, 2000.
Cintia Carla Penso, Engenheira de Alimentos. Disponível em: http://www.cintiapenso.com.br/coluna.php?codigo=13. Acessado em: 14/06/2016.
Han JH (2005) Antimicrobial packaging systems. In: Han JH (Ed.) Innovations in food packaging. Baltimore, Elsevier Science & Technology Books. p. 80-107.
Yam KL, Takhistov PT & Miltz J (2005) Intelligent Packaging: Concepts and Applications. Journal of Food Science, 70:R1-R10

 

 

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